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IA vs Bitcoin: Como a IA está consumindo mais energia em 2025

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Publicado em
7m

Em 2015, se alguém dissesse que sistemas de inteligência artificial superariam o consumo energético da rede Bitcoin, a afirmação seria considerada absurda.

Em 2020, muitos ainda pensavam que o maior vilão do gasto energético global no setor de tecnologia era o Bitcoin, com suas fazendas de mineração operando 24 horas por dia. Porém, em 2025, o jogo virou: a inteligência artificial está devorando energia em uma velocidade sem precedentes, e há boas razões para isso.

Mas como chegamos até aqui? O que está impulsionando esse salto no consumo energético da IA? E por que, de repente, ela ultrapassou o Bitcoin, historicamente criticado por seu impacto ambiental? A seguir, destrinchamos o que está por trás desse fenômeno energético da década.

A ascensão da IA generativa e a explosão de demanda computacional

Tudo começou com o boom dos modelos generativos de IA, como os LLMs (Large Language Models) GPT-4, Claude, Gemini, LLaMA e os modelos de imagem e vídeo como DALL·E, Midjourney e Sora. Esses sistemas revolucionaram a forma como interagimos com a tecnologia: de assistentes virtuais ultracompetentes a ferramentas de criação de conteúdo audiovisual em tempo real.

Por trás dessa aparente mágica, há uma exigência brutal: processamento intensivo em GPUs de última geração, como as NVIDIA H100, B200 e AMD Instinct MI300X. Cada vez que um usuário interage com um chatbot, solicita uma imagem, ou executa uma tarefa de análise preditiva, dezenas ou centenas de GPUs podem estar envolvidas simultaneamente.

A diferença é clara: enquanto o Bitcoin utiliza grande parte de seu poder computacional para resolver um único tipo de problema criptográfico (SHA-256), a IA lida com tarefas vastamente variadas, com modelos altamente complexos e pesos que precisam ser constantemente acessados, treinados, ajustados e inferidos. E tudo isso em tempo real.

Data centers do futuro (e do presente): IA como o novo centro de gravidade

Em 2025, o design de data centers mudou radicalmente. Gigantes como Microsoft, Google, Meta e Amazon estão investindo bilhões em infraestruturas otimizadas para IA. Esses data centers operam com densidades de energia antes impensáveis: enquanto servidores tradicionais consomem em média 5–10 kW por rack, os racks otimizados para IA ultrapassam os 50 kW.

Esse salto também obriga a uma reinvenção dos sistemas de refrigeração. A refrigeração líquida, antes restrita a aplicações militares ou supercomputadores, agora se tornou comum em data centers de IA. O motivo é simples: a IA exige mais potência e, por consequência, gera mais calor.

Segundo relatório da International Energy Agency (IEA) publicado no primeiro trimestre de 2025, os data centers voltados para IA já respondem por mais de 4% do consumo total de eletricidade nos EUA, um número que tende a crescer exponencialmente nos próximos dois anos.

Comparando consumo energético: IA vs Bitcoin

Vamos aos números. Em 2022, o Bitcoin consumia cerca de 100 TWh por ano, algo comparável ao consumo energético de países como Holanda ou Filipinas. Mas a partir de 2023, esse número começou a estabilizar, com a introdução de modelos mais eficientes de mineração, migração para fontes renováveis, e até movimentos regulatórios que forçaram a descentralização do hashrate global.

Já a IA seguiu o caminho oposto. Segundo levantamento da SemiAnalysis, o treinamento de um modelo como o GPT-4 consumiu cerca de 1.287 MWh, o suficiente para abastecer 120 casas nos EUA durante um ano. Mas o treinamento é só o começo: a inferência (uso contínuo pelos usuários) supera largamente esse consumo. Estima-se que, em 2025, o uso rotineiro de IAs generativas já consome entre 180 a 200 TWh por ano, superando o Bitcoin por larga margem.

E esse número tende a crescer. Para cada nova aplicação, seja um assistente pessoal autônomo, um copiloto de código, ou uma IA embarcada em veículos, novos servidores e mais energia são exigidos.

IA não é apenas uma tecnologia: é uma infraestrutura

A principal diferença estrutural entre IA e Bitcoin está em sua aplicação. Bitcoin é, essencialmente, uma rede de transações financeiras baseada em consenso descentralizado. Seu funcionamento depende de mineração constante, mas seu escopo permanece relativamente limitado.

Já a IA se transformou em infraestrutura de uso geral (general-purpose infrastructure). Ela está presente em praticamente todas as indústrias: saúde, varejo, finanças, educação, logística, defesa. E cada uma dessas aplicações requer não só processamento intenso, mas também baixa latência, alta disponibilidade e escalabilidade, o que multiplica os requisitos energéticos.

Além disso, o ciclo de vida da IA envolve:

  • Treinamento inicial (supercomputação concentrada);
  • Re-treinamentos periódicos (para adaptação e atualizações);
  • Inferência contínua (uso massivo e simultâneo por milhões de usuários);
  • Monitoramento e avaliação em tempo real (para segurança, alinhamento e controle de alucinações).

Ou seja, é uma estrutura viva, dinâmica e exponencial, com crescimento acelerado do consumo energético.

E a energia verde?

Uma possível solução, tanto para IA quanto para Bitcoin, sempre foi a migração para fontes renováveis. E, de fato, houve avanços consideráveis nos últimos anos. Grandes empresas de tecnologia estão investindo em energia solar, eólica, e até em usinas de fissão modular (SMRs) para alimentar seus data centers.

A própria OpenAI, por exemplo, firmou parcerias com startups de energia nuclear para garantir suprimento estável e limpo para suas operações. Mas isso não resolve tudo.

O desafio é de escala: a velocidade com que a demanda por IA cresce é muito superior à velocidade de expansão das infraestruturas verdes. Além disso, muitos data centers ainda estão localizados em regiões com matriz energética baseada em combustíveis fósseis, como carvão e gás natural.

Segundo estimativa da Ember Climate (2025), menos de 30% do consumo energético da IA global provém de fontes renováveis, um número inferior ao desejado para um setor que prega a inovação.

Regulação, impostos e a pressão climática

Com a escalada do consumo energético da IA, vieram também os olhos atentos dos reguladores. Nos Estados Unidos, a Federal Energy Regulatory Commission (FERC) começou a exigir relatórios de impacto ambiental de data centers com carga superior a 10 MW.

Na União Europeia, o “AI Green Pact”, proposto em 2024 e em vias de aprovação em 2025, prevê limites para emissões de carbono por petaflop de inferência. Isso forçará muitas empresas a repensarem suas arquiteturas, otimizarem modelos e redistribuírem cargas para regiões com energia limpa.

No Brasil, a ANEEL e o Ministério de Ciência e Tecnologia estudam incentivos fiscais para IAs rodando com energia renovável, além de taxações extras sobre uso de IA em data centers com matriz energética fóssil.

A mensagem é clara: a sustentabilidade da IA não é mais opcional.

O paradoxo: IA pode também ser a solução para o problema energético

Apesar de ser vilã no quesito consumo, a IA também pode ser parte da solução. Com os avanços em modelagem preditiva, otimização de redes elétricas, controle inteligente de cargas e previsão de geração solar/eólica, a IA vem ajudando operadores de rede a minimizar perdas e maximizar eficiência.

Algumas aplicações já em uso:

  • IA para smart grids, que redistribui carga conforme a oferta de energia renovável.
  • Modelos de machine learning para previsão de demanda, usados por concessionárias para evitar picos.
  • IA embarcada em inversores solares, otimizando geração e armazenamento.

Ou seja, a IA, apesar de energética, tem potencial de ser autocorretiva, desde que corretamente aplicada.

Conclusão: IA e Bitcoin são energívoros, mas com naturezas diferentes

Em 2025, é oficial: a IA ultrapassou o Bitcoin em consumo energético. Mas o debate não é sobre qual tecnologia consome mais, e sim sobre como cada uma transforma essa energia em valor.

O Bitcoin representa uma revolução monetária e de soberania digital, com um consumo previsível e cada vez mais migrando para fontes limpas. Já a IA é um catalisador para uma nova era computacional, mas ainda precisa resolver seu desequilíbrio energético e alinhar escalabilidade com sustentabilidade.

Ambas são faces da mesma moeda: tecnologias disruptivas com imenso potencial, mas que exigem responsabilidade na forma como são alimentadas.

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