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Bancos tradicionais apostam em stablecoins em 2025

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Publicado em
6m

Em 2025, o cenário financeiro global passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era exclusividade de fintechs e exchanges, agora se tornou uma aposta estratégica de gigantes bancários tradicionais: as stablecoins. De forma surpreendente, bancos centenários começaram a integrar moedas digitais estáveis em seus sistemas, unindo a segurança da tradição com a eficiência da inovação.

Neste artigo, você vai entender por que os bancos tradicionais estão apostando em stablecoins, como essa decisão está redefinindo a dinâmica do sistema financeiro, e o que isso significa para investidores, empresas e consumidores.

O Que São Stablecoins e Por Que Bancos Estão Interessados?

As stablecoins são criptomoedas lastreadas em ativos estáveis, geralmente moedas fiduciárias como o dólar (USD), o euro (EUR) ou o real (BRL). Seu principal atrativo é oferecer o dinamismo das criptomoedas com a estabilidade das moedas tradicionais. Diferente de criptoativos voláteis como o Bitcoin ou o Ethereum, as stablecoins mantêm paridade com o ativo de referência, por exemplo, 1 USDC equivale a 1 dólar americano.

Bancos perceberam que, ao adotar stablecoins, podem oferecer transferências mais rápidas, baratas e seguras, além de integrar novos serviços financeiros programáveis com contratos inteligentes. Em vez de perder espaço para fintechs e exchanges, decidiram agir: criar ou integrar stablecoins próprias ou de parceiros.

Por que agora?

Três fatores explicam essa mudança em 2025:

  • Regulação clara: Após anos de debate, bancos centrais e reguladores ao redor do mundo estabeleceram diretrizes para stablecoins, tornando o ambiente mais previsível.
  • Demanda por digitalização: Clientes exigem transações em tempo real, sem fronteiras e com menor custo, algo que os sistemas bancários tradicionais não entregavam sozinhos.
  • Concorrência acirrada: Fintechs e plataformas cripto estavam ganhando clientes a uma velocidade que os bancos não podiam ignorar.

Casos de Bancos Tradicionais que Adotaram Stablecoins

Diversos bancos globais entraram nesse movimento. A seguir, alguns exemplos reais e atuais:

JPMorgan Chase – JPM Coin 2.0

Em 2024, o JPMorgan expandiu a atuação da sua stablecoin interna, a JPM Coin. Originalmente usada apenas para transferências entre clientes institucionais, a versão 2.0 lançada no fim de 2024 começou a ser oferecida a grandes empresas para pagamentos em tempo real e, mais recentemente, nesse ano, a clientes corporativos com contas internacionais. O JPM Coin opera em blockchain permissionado e já movimentou bilhões de dólares em poucos meses.

Banco Santander – EURCV

O Santander, um dos maiores bancos europeus, avançou com testes bem-sucedidos do EURCV, sua stablecoin lastreada em euro. Em parceria com plataformas de pagamentos e marketplaces, o banco oferece liquidação quase instantânea de transações cross-border usando a stablecoin, com foco no mercado europeu e latino-americano.

Itaú Unibanco – Stable Real Token

No Brasil, o Itaú Unibanco anunciou em março de 2025 o lançamento-piloto de sua stablecoin lastreada em real, chamada Stable Real Token (SRT). Integrada ao Drex, o Real Digital do Banco Central, essa moeda permite liquidação instantânea de pagamentos B2B, com testes realizados em parceria com grandes varejistas.

A Integração com o Sistema Financeiro Tradicional

A grande novidade não é apenas o uso de stablecoins, mas sua incorporação nas estruturas bancárias existentes. Ou seja, o que antes era feito por carteiras digitais descentralizadas agora é possível no próprio aplicativo bancário, com KYC (conheça seu cliente), proteção regulatória e interoperabilidade com sistemas nacionais de pagamentos, como o PIX no Brasil ou o FedNow nos EUA.

Benefícios operacionais para os bancos

  • Liquidação em tempo real: transações que antes demoravam dias agora são liquidadas em segundos.
  • Redução de custos: menos intermediários e menor necessidade de infraestrutura tradicional.
  • Acesso global: stablecoins permitem operação 24/7 e transferências internacionais sem dependência de sistemas como SWIFT.
  • Rastreamento programável: contratos inteligentes embutidos nas transações tornam possível automatizar auditorias e conformidade.

Impactos no Mercado Financeiro e nas Relações com Fintechs

A entrada dos bancos no ecossistema de stablecoins alterou drasticamente o equilíbrio de poder no setor financeiro. O que era uma arena dominada por fintechs inovadoras e exchanges descentralizadas agora conta com a influência de instituições centenárias.

Concorrência ou colaboração?

Muitos bancos optaram por parcerias com empresas de blockchain já consolidadas, como a Circle (USDC) ou a Paxos (PYUSD), ao invés de criar soluções próprias do zero. Isso impulsionou colaborações híbridas entre o sistema bancário tradicional e o universo cripto.

Ao mesmo tempo, fintechs que operavam na fronteira da regulação viram-se obrigadas a se adaptar, integrando-se a bancos ou buscando licenças para operar legalmente.

Desafios Técnicos e Regulatórios para as Stablecoins em 2025

A revolução financeira trazida pelas stablecoins não veio sem obstáculos. Os principais desafios enfrentados neste ano são:

Regulação transfronteiriça

Cada país ainda tem critérios distintos para aprovação, supervisão e emissão de stablecoins. Isso cria dificuldades operacionais para bancos que atuam globalmente. A tendência em 2025 é de acordos multilaterais, como os firmados no G20, visando criar padrões internacionais.

Custódia e risco sistêmico

Bancos que emitem stablecoins precisam garantir 100% de lastro em ativos altamente líquidos — muitas vezes exigidos em títulos públicos de curto prazo. A má gestão pode gerar riscos sistêmicos, como mostrou o caso da falência do Signature Bank em 2023.

Interoperabilidade entre redes

Ainda que diversas stablecoins operem em redes blockchain diferentes (Ethereum, Solana, redes permissionadas), a integração entre esses sistemas ainda é limitada. Soluções como Chainlink CCIP e Fireblocks Network ganham força ao facilitar a comunicação entre blockchains e sistemas bancários.

O Papel dos Bancos Centrais e a Convergência com CBDCs

A coexistência entre stablecoins privadas e moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs) também é tema central em 2025. Muitos acreditavam que uma substituiria a outra, mas o que se observa é uma complementaridade.

Drex, FedNow e o Euro Digital

  • Drex (Brasil): O Banco Central permite o uso do Real Digital como infraestrutura para stablecoins bancárias, como no caso do Itaú.
  • FedNow (EUA): Embora não seja uma CBDC, o sistema FedNow facilita liquidação instantânea, usado como back-end por bancos que operam com stablecoins.
  • Euro Digital: O BCE ainda está em fase-piloto, mas bancos europeus usam stablecoins privadas em paralelo enquanto a CBDC não é liberada.

Essa convergência reforça que o futuro não será dominado por uma única tecnologia, mas sim pela integração entre soluções descentralizadas, bancos e governos.

O Que Esperar para os Próximos Anos

Com a consolidação das stablecoins nos bancos, abre-se caminho para uma nova fase: a tokenização completa da economia. Já existem pilotos envolvendo tokenização de ativos reais como imóveis, ações e precatórios, utilizando stablecoins como meio de pagamento e liquidação.

Além disso, o avanço de carteiras multiativos, que combinam stablecoins, CBDCs, ações tokenizadas e criptoativos, vai transformar a forma como consumidores e empresas interagem com o dinheiro.

A Nova Era Financeira Já Começou

A aposta dos bancos tradicionais nas stablecoins em 2025 marca um divisor de águas. O sistema financeiro, antes rígido e ineficiente, entra em uma era de liquidez em tempo real, custos reduzidos e maior inclusão global.

O movimento é claro: bancos que resistirem à inovação podem perder relevância; aqueles que abraçarem as stablecoins, ao lado da regulação e da tecnologia, estarão na vanguarda da nova economia digital.

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